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Our unwritten Seul | K-Drama | Análise


Annyeong haseyo!

Tudo bem com vocês?

Este drama é uma verdadeira imersão nos sentimentos mais humanos das pessoas. Ele perpassa por crises, desilusões, redescobertas, curas, amor, e muitas das situações que nos confrontamos no dia a dia. Ficou claro que é possível, sim, a cura e o recomeço. Uma obra prima.

 

 

Ficha Técnica

Drama: Our unwritten Seul
Hangul: 미지의 서울
Direção: Park Joon-hwa
Roteiro: Lee Kang
Protagonistas: Park Bo-young, Park Jin-young e Ryu Kyung-soo
Gênero: Drama/Romance/Mundo Corporativo/Vida
Duração: 12 episódios
País: Coréia do Sul
Lançamento: 2025
Disponível: Netflix, Telegram e Fansubs

 

Sinopse

Em “Our unwritten Seul”, duas irmãs gêmeas que se parecem só fisicamente decidem trocar de vida, redescobrindo o amor e os desafios da rotina. No drama coreano, a atriz Park Bo-young interpreta as irmãs gêmeas idênticas Yoo Mi-ji e Yoo Mi-rae. Ainda que tenham nascido e crescido juntas, elas desenvolveram personalidades, sonhos e medos completamente diferentes uma da outra.

Mi-ji, a mais nova das gêmeas, está em uma época tranquila após cumprir seus objetivos como uma promissora atleta de atletismo. Enquanto isso, Mi-rae está frustrada com a monotonia de sua rotina em uma repartição pública, mesmo depois de passar muito tempo para conseguir o cargo. Um dia, a dupla toma a decisão ousada de trocarem de vida, mudando totalmente suas perspectivas sobre a rotina, o amor e sobre si mesmas.

 

Fonte: https://www.adorocinema.com/series/serie-1000000830/

 

Protagonistas

 

Yoo Mi-ji (Park Bo-young), a mais nova das gêmeas, é extrovertida e determinada. Ela trabalha em vários empregos após escolher ficar em sua cidade natal para cuidar da avó. Ela era uma atleta promissora, mas perdeu a chance de competir nas Olimpíadas devido ao azar.

Yoo Mi-rae (Park Bo-young), a mais velha das gêmeas, é tímida e ressabiada. Ela trabalha em uma empresa em Seul, e sempre teve um bom desempenho acadêmico, mas falta-lhe força física, pois tem a saúde fraca desde o nascimento.

 

 

Lee Ho-su (Park Jin-young) é um advogado em um grande escritório de advocacia, que luta com um complexo de inferioridade e com as sequelas de um acidente que sofreu com seu pai, o que o levou a óbito. Criado pela madrasta, ele é um rapaz de grande caráter e amante da justiça.

 

 

Han Se-jin (Ryu Kyung-soo) é uma lenda do mercado financeiro. CEO de um fundo de investimento, deixa tudo para trás após a morte do avô para se tornar dono de uma fazenda de cultivo de morangos.

 

Gêmeas, mas nem tanto

 

O que me encantou em “Our unwritten Seul” foi a perspicácia do Diretor Park Joon-hwa em não traçar uma linha de contraste entre uma vila no campo, onde mora Mi-ji, e a grandiosa metrópole de Seul, onde vive Mi-rae, entendendo que precisa na verdade aproximá-los para nos fazer entender que ambas levantam da cama todos os dias tendo que lutar contra a inércia típica de um entrave de saúde mental.

A mais nova passou por um período de depressão profunda ao ver sua carreira interrompida após um acidente, e a mais velha está lutando para se manter no emprego mesmo tendo sofrido assédio de todos os tipos. A trama não é um clichê sobre a troca das vidas de duas gêmeas, mas sim um mosaico de descobertas entre as experiências que as duas vivenciaram, fazendo que passem a enxergar de outra forma quando trocam de lugar, muito autoconhecimento, busca, redenção e cura.

 

 

Outro destaque desta história é a relação de Ho-su com sua madrasta, Yeom Bun-hong (Kim Sun-young), que comprova que para ser mãe não basta apenas dar a luz, mas sim, amar incondicionalmente aquele ser que passa a depender de sua atenção e educação. Fantástica a cena que essa mulher chama o advogado para realidade, e mostra que o que sente por ele é muito mais forte do que imaginava.

 

 

Falando em mãe preciso destacar o resgate da relação entre a genitora das gêmeas, Kim Ok-hui (Jang Young-nam) e a avó das meninas, Kang Wol-sun (Kim Mi-kyung), que só se consolidou quando a primeira descobriu que  os pais se separam por sua causa. Com pânico, porque o marido agredia a filha todos os dias, Wol-sun decide sair de casa. Mi-ji, também, tem uma sincronia inegável com a avó, que é a única que a reconhece, pois nem a mãe sabe diferenciar as filhas.

 

 

Incrível a saga vivida por Kim Ro Sa (Won Mi Kyung) e sua melhor amiga, que trocaram de identidade, para que a primeira pagasse a pena do crime da outra, que assassinou o ex marido quando as estava agredindo, porque precisava cuidar do filho com deficiência física e mental. Ro Sa, mesmo analfabeta, assume a vida da poetisa e cuida de todas as coisas em relação à ela, mesmo depois de seu falecimento. Uma relação construída em um orfanato que mudou o destino trágico que as perseguia. Fabuloso o desfecho dessa senhora que não se permite desistir, e na tenra idade trata da dislexia, aprendendo a ler e escrever, e principalmente, divulgar o legado da amiga.

A série se aproveita de um elenco de peso e muito bem selecionado (com destaque para Lee Jae-in e Park Yoon-ho, que interpretam as versões adolescentes dos personagens principais em flashbacks, tão bons quanto os atores adultos) para ir revelando, aos poucos, uma verdadeira teia de angústias secretas suportadas por pessoas que querem manter aparência de normalidade não por soberba, mas por necessidade, e que almejam, principalmente, escrever um final feliz para suas histórias.

 

A deficiência de um caráter

 

A decisão de Ho-su de pedir demissão para se livrar da manipulação do seu chefe Lee Chung Gu ( Im Chul Soo), um advogado que usa sua deficiência e meios escusos para intimidar e acuar seus adversários, marca uma verdadeira revolução na carreira do gato, além de reforçar a sua determinação em se pautar na justiça e honestidade de princípios. No final da série, o Diretor Lee também tem a oportunidade de se redimir com seu ex-subordinado, defendendo o caso da irmã de Mi-ji.

Triste mesmo foi a postura e o comportamento dos chefes e colegas de trabalho de Mi-rae. Uma cúpula desonesta, que rouba o dinheiro da empresa, com milhões de falcatruas, incrimina e assedia a funcionária inocente, a  jogando contra todos os funcionários, que além de acreditarem nas especulações, a tratam como uma pária. Choca ver ela no meio de toda essa pressão. Mas foi bonito presenciar essa mudança, do medo da denúncia e de suas consequências, até a vontade de enquadrar todo mundo e colocar um ponto final nesta parte de sua vida. Ainda dá tempo dela oferecer um exemplo para sua sunbae, ajudando-a se libertar dos traumas que o trabalho trouxeram para sua vida, o que fez com que ela se encarcerasse no seu quarto: um quadro típico de burnout. Uma pequena mostra de um retrato do mundo corporativo de uma grande capital com pesadas disputas para quem tenta sobreviver nessa realidade.

 

Um primeiro amor que se transformou em último

 

Achei cativante a forma se deu a descoberta de Mi-ji e Ho-su serem o primeiro amor um do outro, e como conseguiram dar seguimento a esse relacionamento, ao ponto de Ho-su quase desistir de Mi-ji para não se tornar um fardo para ela, no auge de sua doença. Uma relação que amadurece aos poucos, mas com a força necessária para crescer cada dia mais, como no caso de Mi-ji, que teve primeiro que ultrapassar seus bloqueios, para aí sim, dar um passo definitivo em direção à Ho-su.

Uma coisa que faltou foi um envolvimento romântico maior entre Mi-rae e Se-jin. A relação quase floresceu, mas ficou só no nosso imaginário, apesar dele retornar dos Estados Unidos por causa dela. Com eles, foi só uma amizade que estava se consolidando cada dia mais. Respeito mútuo e personalidades com grandes similaridades e interesses comuns, esse casal prometeria um futuro brilhante, mas quem sabe talvez em uma outra temporada.

A amizade das mães de Mi-ji e Ho-su, que viviam como cão e gato disputando a importância e o sucesso de seus filhos, foi se fortalecendo ao longo da trama, e transformando-os em uma verdadeira família. A decisão de Mi-ji em entrar para a universidade, se formar e trabalhar como terapeuta, desencadeou do processo de conhecimento de si mesma. Ela decidiu não pular etapas, e amadurecer suas decisões para subir mais um degrau em sua escada rumo ao sucesso e à felicidade.

 

Não dá para agradar gregos e troianos

 

Li muitos comentários e críticas na internet que o drama devia ser mais denso e pesado no final, eu não concordo, acho que foi tudo na medida certa. A mensagem de que é possível recomeçar e manter a chama da esperança acesa. Opinião não se discute, mas para analisar temos que olhar as diversas perspectivas, e concluir se a história se manteve fiel a trama e a mensagem que desejava passar para o público. Acho que tudo estava bem alinhado.

Inegavelmente, a atuação de Park Bo-young é um plus a mais no drama. Ela conseguiu construir dois personagens, totalmente distintos, em personalidade, características e desejos. Foi brilhante poder ver essa nuance dessa atriz que tanto admiro. Só isso já valeu o drama todo.

 

Considerações finais

 

Em 29 de junho, Our Unwritten Seoul conquistou a maior audiência de sua temporada com o final da série. De acordo com a Nielsen Korea, o episódio final do drama obteve uma audiência média nacional de 8,4%, estabelecendo um recorde pessoal para a série.

A química entre Park Bo-young (xará da irmã mais nova do seu parceiro na trama) e Park Jin-young foi cheia de faíscas, e ao mesmo tempo, de uma doçura sem par. Foi muito importante para a trama, somando-se a trilha sonora impecável, que incluiu sucessos como “Yellow Spring” (Primavera Amarela), “Hush of Sunset” (Silêncio do Pôr do Sol), “On Your Side” (Do Seu Lado), e “Silence of the Night” (Silêncio da Noite), todas com versões instrumentais também, interpretadas por Choi Yu Ree, 10CM, Sion e Elaine.

Na minha opinião um dos melhores dramas de 2025. Se você não viu ainda, vale muito a pena começar.

 

 

Se você assistiu a “Our unwritten Seul”, deixe sua opinião nos comentários.

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